No universo do design de interiores, as novas tecnologias estão redefinindo a forma como concebemos e habitamos espaços. No entanto, para que essas inovações sejam verdadeiramente transformadoras, elas precisam ser humanizadas — ou seja, devem colocar as pessoas no centro de suas funcionalidades, com foco em saúde, proteção e bem-estar. Isso é especialmente relevante em um contexto em que a automação residencial e as interfaces de inteligência artificial (IA) se tornam cada vez mais presentes.
As casas inteligentes, equipadas com sistemas de IA, permitem uma customização profunda dos ambientes, adaptando-se às rotinas, preferências e necessidades específicas dos moradores. Por exemplo, luzes, temperatura e música podem se ajustar automaticamente ao humor ou à hora do dia, criando uma experiência única e confortável.
Entre os campos sensíveis e ampliados no design de interiores, está o design emocional e o sensorial. Em ambientes insalubres, ou arquitetonicamente não atraentes, com falta de janelas, ou pouca luminosidade, são problemas que a tecnologia pode trazer, introduzindo projetos, luminosidade e sensorialidade, respostas que podem auxiliar na psicologia positiva para as pessoas.
Além disso, tecnologias como sensores de monitoramento de saúde e assistentes virtuais podem ajudar a promover um estilo de vida mais saudável. Imagine espelhos inteligentes que analisam sinais vitais ou assistentes de IA que lembram os usuários de tomar medicamentos ou se hidratar. Para idosos que moram sozinhos, a IA pode ser uma aliada essencial, oferecendo sistemas de alerta e resposta emergencial. Sensores que detectam quedas e acionam automaticamente serviços de emergência ou familiares, são um exemplo prático de como a tecnologia pode proteger e cuidar.
Atualmente discutimos em Design de Produto e Interiores, as IOTs (Internet das coisas), sobre como os objetos poderão falar por si, porque serão monitorados e conectados com a indústria, que terá condições de acompanhar o uso, as diversas culturas utilizando de forma diferente, a que o objeto foi criado, seu tempo de vida, processo de obsolescência e remanufatura, e o controle da produção. Ou seja, a casa automatizada, onde grande parte dessa automação se encontra, com apoio de IAs, poderá tornar o ambiente mais inteligente e sustentável.
As novas gerações, em seus cursos, adolescentes e jovens, atualmente têm inserido, a robótica, onde já começam pelo processo faça-você-mesmo (DIY), a produzir seus aparelhos e pequenos robôs inteligentes e customizados. Esse exercício tem se tornado uma grande macrotendência. As novas gerações estão totalmente inseridas nesse universo tecnológico, automatizado e de customização de IAs, com práticas de recycle e upcycle para produzirem máquinas a partir de suas necessidades.
As interfaces de IA e a automação residencial também devem ser projetadas para serem intuitivas e acessíveis, atendendo a pessoas de todas as idades e habilidades. Comandos de voz que controlam luzes, portas e eletrodomésticos, por exemplo, facilitam a vida de idosos ou pessoas com mobilidade reduzida. A integração de tecnologias sustentáveis, como sistemas de energia solar e reaproveitamento de água, aliada à automação, cria espaços mais eficientes e ecologicamente responsáveis. Casas que ajustam o consumo de energia com base na rotina dos moradores, reduzindo desperdícios, são um exemplo dessa tendência.
O design de interiores, aliado à IA, pode criar ambientes que promovam conexões emocionais e sensações de aconchego. Sistemas que reproduzem músicas ou iluminação que evocam memórias positivas contribuem para o bem-estar emocional. Para idosos que moram sozinhos, a IA pode ser uma ferramenta poderosa de proteção e cuidado. Assistentes virtuais, como Alexa ou Google Assistant, podem não apenas controlar a casa, mas também monitorar atividades diárias, detectar anomalias (como quedas ou mudanças de rotina) e acionar ajuda quando necessário. Além disso, a IA pode oferecer companhia virtual, reduzindo a sensação de solidão e promovendo interações sociais.
O futuro do design de interiores está na integração de tecnologias avançadas, como IA e automação residencial, com um propósito humanizado. Ao priorizar saúde, proteção e bem-estar, especialmente para grupos vulneráveis como idosos, crianças e outras que necessitam de cuidados, essas inovações transformam casas em verdadeiros espaços de cuidado, conforto e conexão. A tecnologia, quando bem aplicada, não apenas facilita a vida, mas também protege, cuida e emociona, tornando os ambientes mais acolhedores e significativos.
Este artigo contou com a colaboração da ABD – Associação Brasileira de Designers de Interiores